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domingo, 10 de outubro de 2010

"Uma longa viagem" - Tiago Rebelo

Mais uma "crónica":

"Ela faz as malas para ir ao encontro dele, para partir de vez, tomando um novo rumo. Arruma as suas coisas, faz as malas e, enquanto o faz, vai pensando na decisão que tomou e a aventura que isso representa. Conhece-o há poucos meses mas só tem uma certeza, de que não pode viver sem ele. Por isso prepara-se para uma longa viagem, a maior que jamais empreendeu, a de uma vida nova. Sente-se dividida entre a excitação da felicidade e o medo do desconhecido. O seu coração bate num frenesim, as mãos tremem de nervos, o espírito anima-se de coragem, procurando não pensar em tudo o que poderá correr mal e só querendo prender-se à certeza de felicidade que a espera. Diz a si própria que a decisão está tomada e não vai permitir-se desanimar com pensamentos negativos, derrotistas.

Entra pela madrugada ocupada com as arrumações de última hora e, quando se dá por satisfeita, vai tomar um duche demorado com um sorriso nos lábios. É bom saber que tem tudo pronto, pois fá-la sentir-se preparada. Deita-se tarde. É a última noite nesta casa, nesta cidade. deita-se cansada mas demasiado excitada para adormecer, de maneira que vai até de manhã a sonhar acordada com a vida que tem pela frente e só cai no sono quase á hora do despertador anunciar a hora marcada. Acorda ensonada e com o mesmo cansaço pendente da noite passada, mas encorajada pela promessa da novidade.

Olha para trás antes de fechar a porta de casa, observando os resquícios dos últimos anos, os móveis, os quadros, tudo aquilo que lhe parece ter sido uma vida inteira, um lugar onde se sentia segura. Deixa escapar um suspiro, abana a cabeça como quem se questiona o que é que eu vou fazer, faz um sorriso desafiador, fecha a porta e parte.

Atravessa o país a dormitar com a cabeça apoiada no braço, á janela, enquanto o comboio avança. Mais para o fim da viagem já está bem desperta e nervosa, numa ânsia de expectativa. Quanto mais perto do destino mais se pergunta se não terá cometido um erro, se não se terá precipitado, se não voltará a falhar, se, se, se...

Desce do comboio com duas malas, avança a custo ao longo do cais, lutando com a própria bagagem, tropeçando nela, sem saber se é isso que a irrita se é o receio que a enerva.
Mas depois avista-o lá ao longe no fim do cais e ele avança para ela sorridente e, quando se encontram, abraça-a, beija-a e diz-lhe que bom que é estares aqui finalmente, e, nesse instante, todos os receios, dúvidas, nervos, se dissipam num encantamento, numa certeza de que tomou a decisão correcta."

Suponho que foi isto que se passou contigo.... Sê Feliz!

sábado, 9 de outubro de 2010

Mais uma noite de chuva... E eu vou esperando, vou esperando por melhores dias que virão...
É tão dificil acreditar que tudo se vai compor...
Sinto-me cada vez mais cansada, na realidade, sinto-me extenuada...
Mas será que os dias não passam mais depressa do que agora?

Que tristeza....

terça-feira, 5 de outubro de 2010

"À espera que a chuva pare" - Tiago Rebelo

E segue mais uma "crónica":

"A música que o pianista toca no seu canto do bar "If You Don't Know Me By Now". Os seus dedos parecem pairar sobre o teclado e a sua voz vem-lhe da alma, não obstante não haver ali praticamente ninguém para ouvir, pois canta só pelo prazer de cantar.
Sentado a meio do balcão, rodeado de bancos vazios, um cliente solitário escuta a música, atento á história que a sua letra conta. A música acaba e ele vê o pianista a olhar contemplativo para as teclas, como que espantado com a magia que faz com elas e com a beleza da música.
Vê-o assentar as mãos nas pernas, e a soltar um suspiro e a abanar a abeça com um sorriso, antes de se levantar lentamente e retirar-se por uma porta dos fundos.
Ao cliente solitário apetece-lhe o mesmo, um suspiro e uma saída pela porta dos fundos, onde quer que ele vá dar. Tem os cotovelos apoiados no balcão, um dedo pensativo faz rodar o gelo dentro do copo. Já passa da meia-noite e ainda chove lá fora, são as primeiras chuvas de Outono. Ele está a pensar na mulher que ama, a pensar que hoje ela não está e, quando ela não está, não sabe o que fazer com o seu tempo. Há já algum tempo que não sabe o que fazer com o seu tempo. Pede mais uma bebida, enquanto espero que a chuva pare, diz ao empregado, em jeito de justificação. O homem força um sorriso instântaneo, indiferente, e deposita à sua frente um copo atestado em menos de um minuto. Bebe um pouco, pousa o copo, acende um cigarro.
Faz desenhos no cinzeiro, com a cinza, com a ponta do cigarro. Pensa na mulher que ama como uma recordação feliz. Um dia, ela partiu em busca de qualquer coisa. Agora já não têm solução, embora estejam os dois sem saber o que fazer ao tempo. Apaga o cigarro, acaba a bebida, paga a conta.
Chega á porta do bar e verifica que já não chove tanto, só os pingos que restam do aguaceiro. Pensa nela uma última vez e, sem dar conta, encolhe os ombros a ponderar no tempo perdido a pensar nela, inutilmente. Na verdade, não estava ali à espera que a chuva parasse, mas que ela viesse. Ela não veio e ele decide não esperar mais, nem hoje nem nunca. De repente, percebe que o desinteresse dela não é assim tão importante, não merece a desilusão que o tem perturbado. Anima-se com a sua decisão, sentindo-se como se tivesse tirado um peso de cima dos ombros. Enfia as mãos nos bolsos e sai para a noite a pensar que amanhã será um dia melhor."

E pronto... Acabou.
Foi um ciclo.
Como todos os ciclos, este terminou!
Amanhã é um novo dia, e pronto, levantar a cabeça e seguir em frente.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Entraste Na Minha Vida" - Tiago Rebelo

Mais uma "crónica" do Correio da Manhã, do qual gostei muito e decidi partilhar...

"Está sentada, sozinha, na esplanada de um miradouro a admirar Lisboa, sem nunca deixar de se espantar com aquela vista, com aquela cidade. Tem um copo de refresco na mão direita, a cabeça levemente inclinada, o cabelo castanho alourado caído em cima do ombro esquerdo. Os olhos, escondidos pelos óculos de sol, prendem-se ao casario, aos telhados, ás avenidas que descem até ao rio. Ao longe vê-se a ponte. Em cima da mesa está um livro esquecido que ela trouxe para ler, mas não chegou a abrir.
Sentado no muro baixo que delimita a calçada, ele observa-a encantado. Para lá dele está a cidade vista de cima. Quando os olhos dela se cruzam com os seus, ele sorri-lhe. Ela desvia o olhar, atrapalhada, mas logo depois torna a olhar, curiosa, e ele volta a sorrir-lhe. Ela baixa os olhos, mas também sorri. Ele aproxima-se da mesa com um copo de cerveja na mão e pergunta se se pode sentar com ela. não havia mesas livres, explica, mas isto aqui é tão agradável que fiquei na mesma. Ela diz está bem, sente-se.
Começam a conversar, apresentam-se, ele nota a aliança no dedo dela. Ela responde sim, estou casada, e acrescenta num desabafo, com o homem errado. Ele faz uma expressão compreensiva, com os lábios crispados, enquanto ela volta a cara, sentindo-se a corar, sem perceber o que lhe deu para dizer tal coisa. Eu também casei com a mulher errada, mas divorciei-me, confessa ele, levando-a a fitá-lo, mais á vontade. As horas passam e a conversa flui sobre os enganos das suas vidas, falam com uma surpreendente naturalidade, um entendimento perfeito. Estão muito próximos um do outro, ele segura a mão dela e já não se largam. É um momento mágico, a que ela não consegue resistir. Mas quando a noite desce anuncia-lhe que tem de se ir embora. E voltas?, pergunta ele. Não posso, sou casada. Com o homem errado, lembra-a.
Sim, reconhece, deixando escapar um suspiro. Pagam a conta, ele acompanha-a ao carro, estacionado no jardim fronteiro, ela abre a porta, volta-se para trás e murmura gostei muito de te conhecer. Hoje entraste na minha vida, diz ele. Tu também entraste na minha vida, pensa ela, sem o dizer. Ele prende-lhe carinhosamente uma madeixa de cabelo atrás da orelha, olham-se, ela diz tenho de ir, ele aproxima-se, beija-a, ela corresponde com paixão. Depois diz não posso fazer isto, desculpa, mete-se no carro precipitadamente, vai-se embora.
Ele ainda pensa nela, queria que ela voltasse. Ela só pensa nele, mas não sabe como voltar a encontrá-lo. Só teve coragem de regressar á esplanada quase um mês mais tarde, um dia depois de ele ter desistido de lá ir esperá-la todos os dias."

... E quando finalmente tomamos uma decisão, é sempre tarde demais.
Será que alguma vez ele soube?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Alma doente e um coração tão negro, que ninguém me vê.
Ninguém se dá ao trabalho de alongar a vista e percorrer aquilo que Eu Sou!
Sou um Ser único, problemático, apaixonado, inquieto, lunático, misterioso, tímido...
Custa-me olhar-me ao espelho e ver o que mais ninguém vê, um Ser cheio de defeitos e segredos, porque tem uma enorme incapacidade de exprimir sentimentos do mais profundo que seja.

Odeio-me por não conseguir confessar o que me passa no pensamento e por não conseguir exprimir o que sinto e o que me dá vontade de chorar...
Mas no dia seguinte acordo, e é um novo dia... E a tudo se sobrevive!
Nada dura para sempre, mesmo que existam pessoas que acreditam piamente que sim!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

´Os finais são horríveis. Fica o ar vazio, deixamos de ver ao longe, de repente apagam-se as luzes e a vida fecha-se aos nossos olhos. Depois do fim, vem a pergunta fatal e agora? Dá vontade de ir à bruxa para ter uma ideia, mas resiste-se estoicamente,... até porque as fadas também se enganam.


Aproveita-se o tempo para telefonar aos velhos amigos, arrumar gavetas e deitar papéis fora, limpar a memória e deixar o coração de molho, em convalescença a carregar baterias.

Mas o pior são as despedidas. É sempre horrível dizer adeus, mesmo que seja só até logo à noite.

Quando gostamos de alguém, apetece-nos ser mosca para ficar a gravitar incógnito à volta dele, ouvirmos a sua respiração, rirmos com o seu riso e penarmos com as suas dúvidas. Sentimos a vocação falhada de anjo da guarda que não está a cumprir o horário.´
 
Margarida Rebelo Pinto in "As Crónicas da Margarida"
Espero, espero, espero, espero, espero e continuo a esperar...
Sou estúpida?!
Devo ser... Será que irás alguma vez olhar para mim?

Todas as noites tenho vontade de dar noticias... Mas sei que não devo. Fico no meu canto, é bem melhor!
Mas a minha Luz, apaga-se de dia para dia.
Tou a ficar cansada... Tão cansada....
Só queria que cuidasses de mim...

Uma utopia... Tenho de acordar deste sonho cor-de-rosa, porque a vida real é a branco, preto e cinzento.

"O tempo perguntou ao tempo,
Quanto tempo o tempo tem?
O tempo respondeu ao tempo,
Que o tempo tem tanto tempo,
Quanto o tempo o tempo tem!"

E o meu tempo?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"A vida terrena é tão efémera... Devemos limitar-nos a viver cada dia como um só! Carpe diem!"