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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O principezinho (esta é para ti!)

"... Julgava-me muito rico por ter uma flor única no mundo e, afinal só tenho uma rosa vulgar...
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...(raposa) Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
- Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
... Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepesinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples:
Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa..."


Antoine De Saint-Exupéry

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Maria...

Todas as noites, alguém olha para o céu em busca de algo que não sabe o nome.
Olha para as estrelas e questiona-se, sobre o seu Futuro; e, talvez, no meio dessas indagações encontre algumas respostas ás atitudes que teve no seu Passado.

E foi assim que eu conheci a Maria, ao pé do rio, num banco de pedra.

Ela estava a olhar para o céu, e além da sua expressão pensativa, jorravam-lhe lágrimas pela face. Lágrimas essas que ela nem se esforçava por controlar.
Nunca lhe perguntei, o que se passava com ela, mas até hoje acredito piamente, que se encontrava a lavar a sua alma de todos os despojos do seu Passado.

A Maria era uma jovem que se considerava com uma beleza puramente normal, e possivelmente, por isso mesmo, é que não tinha noção da quantidade de cabeças que se viravam, apenas para a ver passar.
A realidade, é que a Maria tinha uma beleza exótica. Não era bonita, mas era extremamente atraente. Uma bela morena; de olhos castanhos enigmáticos, que pareciam prometer o universo; uns lábios carnudos, mas não excessivamente; de uma estatura mediana cheia de curvas. Vestia-se com gosto e elegância; e tinha uma presença profundamente marcante.

Apesar de todos os atributos físicos, Maria tinha um problema em encaixar-se na sociedade. Ela era extremamente tímida! E talvez, por isso mesmo, me intrigue tanto o acontecimento daquela noite de Verão, quando nos falámos pela primeira vez. Afinal, com o tempo que foi passando, fui conhecendo, cada vez melhor, a sua personalidade.

Descobri, que aquele lugar ao pé do rio, tinha um tremendo significado para ela, pois passara os melhores momentos da sua vida, a partilhar aquela vista e aquele céu, com alguém muito especial.
Alguém que tinha partido, e que ela ainda não tinha sido capaz de aceitar essa dura realidade.
Tivemos longas conversas, eu e a Maria.
Ela disse-me que sonhava em conhecer locais bonitos, em que se complementassem as paisagens pacíficas de prados verdejantes e de montanhas, com lagos, rios ou mar, de um azul cintilante. Disse-me que gostava de viajar pela Europa, para descobrir o que os nosso antepassados criaram, nas suas conquistas de novas terras. Disse-me que gostaria de ter mais noções de literatura, arquitectura, pintura, música... Tudo o que a fizesse sentir feliz, já que ela não se sentia assim há muito tempo.

Com a Maria, descobri que é possível viajar dentro da nossa cabeça, e visitar todos os sítios que queremos, sem demorar horas ou dias. Descobri que, toda a sua força de vontade residia na Fé que tinha no coração, e no facto de nunca questionar o que lhe acontecia de mau ou de bom.
Com ela, descobri que a amizade é algo que se cultiva, que é preciso cuidar, dar atenção, amor e carinho; para que ela não morra de um momento para o outro!
Com ela aprendi, que existem pessoas que passam na nossa vida, mas que não têm necessariamente de permanecer. São pessoas que passam na nossa vida, para nos transmitir algo, para nos falar das suas experiências, para nos mostrar coisas novas. Também aprendi, que as pessoas que permanecem nas nossas vidas, são importantes para nós, e que criam algum tipo de laço visceral, que não se corta, só porque sim.

A Maria, foi apenas uma pessoa que passou na minha vida. Ensinou-me o que tinha para me ensinar, e partiu, possivelmente para ensinar mais alguém ou vir a conhecer a tal pessoa com quem poderia criar um laço visceral.

De tempos a tempos, tenho notícias dela. Sei que está bem, sei que é uma pessoa mais sociável, com um bom trabalho, com uma família espectacular. E que, acima de tudo, está sempre com um sorriso fenomenal no rosto.

E foi essa a lição mais preciosa que a Maria me deu:

"Vais encontrar muitas pessoas no teu caminho; o caminho que vais ter de percorrer sozinha ou acompanhada, consoante a escolha que tu fizeres. Vão existir pessoas, com quem irás sentir uma empatia imediata, pessoas essas com quem vais criar laços tão fortes, que só a ideia de se chatearem te iria deixar doente. Também vais encontrar pessoas, que automaticamente, te vão deixar com o pé atrás, e que saberás imediatamente que não se preocupam nem contigo, nem com o teu bem estar.
Por isso te digo, aconteça o que te acontecer, façam-te o que fizerem, está sempre com um sorriso nos lábios.
O sorriso desarma qualquer tentativa de maltratar e de inferiorizar.
Como é óbvio, vão tentar pisar-te, sempre. Mas nunca deixes que te façam sentir inferior, imprestável e acima de tudo, burra! Não te rebaixes!
O sorriso, é a melhor arma que uma pessoa tem, para desarmar os inimigos!
Por isso lembra-te, nunca deixes de sorrir. Sorri á vida para que ela te sorria de volta!"

E foi assim, que a Maria passou na minha vida!

terça-feira, 17 de março de 2009

Casa de Sonho


E eu sonhei....

Com uma linda casinha, toda ela de pedra e amarelinha, as janelas e as portas todas elas verdinhas. O caminho, que levava à casinha, é todo feito de pedrinhas, que são pequenos seixos cheios de cores, e a circundar o caminho, flores de todas as cores e todos os cheiros que a imaginação permite à existência.
Em redor da casinha, um enorme jardim, com alguns pinheiros e muitos canteiros; entre rosas, cravos, gerberas, gardénias, amores-perfeitos, girassoís... Milhares de borboletas coloridas a esvoaçar e a abrilhantar o lindo jardim daquela casinha.
Nas traseiras da casinha, existia um enorme laguinho, cheio de peixes cor-de-laranjas. No meio do laguinho está uma fonte, sempre a jorrar água fresca, como se de uma nascente se tratasse.
E tudo isto eu vi, num dia de céu azul, sem uma única nuvem no céu, nem uma simples brisa inundava o ar; apenas o sol brilhava com todo o seu esplendor e espalhava a sua luz e todo o seu calor.

Todas as paredes da casinha eram de um amarelo clarinho, enquanto o seu tecto era de uma cor nívea, o seu chão de madeira clarinha toda envernizada, que nem apetecia pisar, com medo de estragar.
À entrada da casinha, um enorme hall com um móvel de madeira escura, que em cima tinha imensas fotografias da família, um enorme espelho e um bengaleiro, um pote para pôr os chapéus-de-chuva e um enorme tapete que convidava a limpar os pés. De seguida uma porta toda ela de madeira brilhante com uma maçaneta dourada.
Por de trás da porta, temos a sala de estar, com a sua enorme lareira. No centro da sala o sofá de um amarelo torrado bonito, a fazer contraste com as paredes; todos os móveis da divisão eram de uma madeira escura, muito bonita. Com quadros de paisagens, fotografias da família, estantes cheias de livros, puffs espalhados e almofadões de cores brilhantes, mantas em cima dos sofás, revistas espalhadas em cima da mesa; era a divisão mais aconchegante da casa. Sim... Existia uma televisão, mas ninguém lhe dava muita importância.

Desta sala era possível passar para a sala de jantar, para o escritório e para os quartos que eram quatro, mas deles não vou falar. A sua decoração era muito pessoal, era como cada pessoa da família, muito especial.
A sala de jantar, com a sua mesa enorme e imponente, mesmo ao centro, para todos os membros da família e para os amigos; com o armário de madeira escura aonde estavam os pratos, copos e talheres, as toalhas e os guardanapos de linho, as loiças da mãe, da avó e da sogra; o aparador de madeira escura trabalhada, mesmo de baixo da janela, enorme e que deixava entrar toda a luz imponente do sol. Na parede, mais quadros de paisagens e uma réplica da "Última Ceia". O que só mostrava a Fé desta família. E por último, o escritório.
O local sagrado da casa, com a secretária de madeira negra no centro atufalhada de papéis, e as poltronas de pele escura, as prateleiras cheias de livros, que rodeavam a divisão. A enorme varanda, por trás da secretária, era a única fonte de calor para aquela divisão.

A grande particularidade desta casa, era estar numa falésia, como a da fotografia acima. As janelas tinham vista para o mar, logo... Quando chegava o final da tarde, a família toda juntava-se para ver o Sol mergulhar no mar. E não havia vista mais bela do que esta, porque a paz que transmitia era única.

E assim se tornou, a bela casinha, numa Casa de Sonho.

Talvez um dia venha a ser real... Quem sabe...!

segunda-feira, 16 de março de 2009

"Duas Conchas"

Comentei o texto de um amigo, com este texto. Não é meu, mas na altura em que o li pela primeira vez... Teve um significado tão importante e tão bonito e ao mesmo tempo tão real que o quis colocar aqui... Apesar de os motivos já não serem os mesmos, o texto continua a ser muito bom.

"Não havia vento, não havia ondas, nem uma brisa se sentia naquele recanto de mundo a que alguém um dia chamou de praia.
Era cedo, muito cedo, a manhã estava com um céu azul tão brilhante que o mar sentia-se envergonhado por naquele dia não ter semelhante cor, mas ao mesmo tempo sentia-se protegido... Mas não aquela concha que nessa manhã deu à praia (vamos chamar-lhe de A).
Mas não estava só... Lá ao longe outra concha (a que vamos chamar de G) vislumbrava aquele acontecimento... A chegada de mais uma concha àquela praia.
Todos os anos este invulgar evento ocorria, este ano pertencia a A e a G. Elas (as conchas) eram lançadas no alto mar por alguém (a que vamos chamar de destino) e as duas primeiras conchas a alcançar aquele aglomerado de torrões de terra, viviam para sempre felizes.
Mas desta vez e infelizmente as coisas não acabavam com um final feliz... Não desta vez. Para G era a primeira vez que acontecia esta aventura... Para A... Também. Contudo não seria a primeira vez que aquelas conchas se encontravam... Aquele olhar trocado entre ambas dizia tudo... De certeza que em outra realidade já teriam partilhado confidências.
Este dia foi marcado por alegrias mil entre as duas conchas. Foi um dia de sussurros, de brincadeiras, de alegria partilhada, de maneiras iguais de ver o mundo e até várias cusquices sobre ele e sobre a vida, (a curta vida delas). G transbordava de alegria, tanta... Tanta que poderia o mundo acabar ali aos seus pés que ele viveria para sempre feliz para onde quer que fosse. O dia passou num ápice (rápido demais mesmo...) e G reparou que A estava quase desfalecida, o longo caminho percorrido até alcançar aquela praia era a razão. G na sua simplicidade/cortesia, segurou em A e delicadamente deitou-a num leito de algas verdes (construídas por si)... Umas lindas algas verdes que davam cor de esperança aquele lugar. Passaram-se vários dias e A não melhorava. O dia de G era preenchido a tentar animar aquela outra concha. Ele contava histórias, desenhava na areia lindas figuras só para a animar, procurava os melhores raios de sol para aquecê-la e quando ficavam fortes demais... Procurava a melhor sombra.
G sentia-se contente por estar a ajudar, sentia-se útil, preenchido, alegre como uma criança traquinas, mesmo não tendo de A... Qualquer gesto de ternura. Mas G não desistia, considerava que lhe estava destinado aquela sua maneira de ser útil. Que engano, que engano ele estaria a cometer, mas também... Não havia naquela imensidão de praia quem lhe ouvisse e ele não sabia falar nem com o mar nem com o vento, habitou-se a viver daquela forma.
Certa manhã A acordou muito melhor, G não viu... Foi a brisa que lhe disse porque ainda continuava a dormir. A noite passada à procura de pauzinhos de madeira secos para fazer uma pequena fogueira e aquecer A, havia-lhe tomado as forças.
A levantou-se e olhou para G, mas nem lhe tocou... Não sabendo bem porquê, retirou-se devagarinho sem barulho, nem mesmo amparou aquele manto de algas por cima de G para lhe aconchegar o sono... Como ele lhe fazia todas as manhãs. Sem destino caminhou sempre em frente e conseguiu sair daquele lugar, sem nunca olhar para trás... Como poderia ser? Como? Então não existiu nem um pingo de sentimento? O brilho do Sol a tocar ligeiramente o mar fez desvanecer aquela figura aos poucos até ao ocaso total.
Já o Sol estava alto quando G acordou e olhando para todos os lados procurou por A muito preocupado... Tinha receio que o frio e o vento da noite passada lhe tivessem levado, estando ela tão fraca. Mas com o decorrer do dia, das semanas, dos meses, reflectiu interiormente que nunca mais veria a sua alma gémea. Todo esse tempo fez com que aprende-se a falar com mar e mesmo com o vento que lhe apresentou à estrelas, mas também elas não sabiam o porquê de A ter partido. Por vezes tem a noção de a ouvir ao longe a dizer: “estou aqui, estou aqui”...
Mas de seguida tal momento desvanece-se com mais um pôr-do-sol. É apenas um engano momentâneo. G passou a ser mais uma daquelas conchas a que nos habituámos a pisar quando percorremos a praia, foi apenas mais uma e... Ele que queria ser diferente... Conta-se que... Ao luar ainda a procura ao longo daquela praia escrevendo frases banais na areia como: “Onde andas?”, “Não te escondas”...
À procura de uma saída daquele sítio porque sozinho não consegue, não consegue mesmo, porque... Falta-lhe um A.

de Rui Maloveci"

E não é que o A falta mesmo? Partiu quando teve de partir e não mais regressou...

domingo, 15 de março de 2009

O coração...


Assim se inicia a história de um coração dividido, entre quem já tinha e quem o começou a querer:


"Passaram-se anos de conversas, de partilhas e de boleias de carro; até que uma noite ao som de uma música de fundo, que de tão insignificante, não ficou na memória, se inicia uma troca de gostos gastronómicos: "A massa com o queijo..."
Trocam-se olhares, e inconscientes toques na mão... Fica um clima no ar, e alguém que salienta: "Quem passar por aqui, o que irá pensar?"

Dá-se a primeira troca de mensagens, entre um "bom apetite", e um "janta por mim", até a um "beijo doce" e um "és linda, doce!".

Inicia-se um belo... Romance?! Será esta a palavra?! Platónico ou real, não se sabe. Apenas consta que algo aconteceu...

Entre jantares de amigos e saídas à noite, passeios pela marginal e jantares a dois, escapadelas para fumar cigarros, conversas que se estendiam pela madrugada a dentro e trocas intermináveis de mensagens... Algo foi surgindo, e confundindo, um dos corações.

Algo que parecia tão simples e tão impossível, de repente se torna real e desejável, mas o coração já estava ocupado, e coitado, teve de escolher...

Apesar da paz que lhe foi dada a conhecer, de toda a beleza e empatia que encontrou, o coração opta por quem já lá morava.

No entanto... O coração começa a definhar, ao perceber que quem o queria já não sente o mesmo fascínio, e que o tempo de espera terminou.

O coração sente-se triste e sozinho, apesar da sua escolha, porque algo no seu interior ficou.

Uma ponta de saudade, um misto de desejo e ternura, um amor inexplicável, um laço de doçura?! Nem ele sabe, nem quem o queria; o que apenas se sabe é que o coração escolheu o que pensava, ou não, que queria. E assim terminou, uma história bem curta.

O coração ficou com quem escolheu, e quem o queria, um outro coração escolheu."